O aprendizado e o caminho

 

 

É a vida que nos ensina a viver:

como o peixe que se adapta ao tamanho do aquário;

como a planta que se acomoda ao deserto;

como a nuvem que obedece ao sopro do vento.

Ao longo dos anos, ajustamos os nossos passos às condições do caminho. E este é o aprendizado da Vida.

Assim, não devemos lamentar os farrapos das roupas que nos foram levadas pelos espinheiros; mas aprender a evitá-los, para que nos possamos preservar. Nem deplorar o sol que nos queima, mas buscar a sombra amiga da árvore que margeia a estrada.

Na colina, que hoje nos parece um obstáculo, brota talvez a água que virá amanhã mitigar a nossa sede. E com as pedras que hoje nos magoam os pés, poderemos amanhã construir o abrigo protetor da nossa velhice.

Por isto, eu vos digo que a nada devemos temer senão ao desânimo. Porque é ele que mina as nossas forças, quando nos faz duvidar da Sabedoria do Universo.

Pois ao que chamais sofrimento, deveríeis talvez chamar aprendizado. E ter presente que a pequena queda de hoje pode salvar-vos do despenhadeiro de amanhã. Como o calor da brasa vos alerta sobre os perigos do fogo.

Como o fruto não atinge a plenitude do seu sabor, senão quando se finda o amadurecimento, o ser humano não estará completo, até que encontre o seu verdadeiro Eu. E este é o objetivo das nossas viagens.

Somos todos alunos, na escola do Universo. E, se a cada um é dado escolher o próprio comportamento, é igualmente certo que dessa escolha dependerá o tempo do aprendizado.

Ocorre, entretanto, que ninguém poderá abandonar o curso sem havê-lo concluído. Por isto, muitas serão as vezes em que precisará o verdadeiro Eu aprisionar-se em novas roupas; e estas serão também rasgadas pelos espinhos que não houvermos ainda removido de nossos caminhos.

As pedras nos magoarão os pés, enquanto deles necessitarmos. Como o calor nos fará arder a cabeça, enquanto não aceitarmos o turbante. E a angústia persistirá em nosso coração, enquanto não soubermos conviver com as nossas emoções e ordenar os nossos pensamentos.

Aceitai, pois, as agruras que a vida vos trouxer. E não as deploreis como castigos ou vos serão inúteis. Vede-as, sim, como valiosas lições; para que, possais  remover os espinhos e as pedras do vosso caminho.

E recebei as vossas alegrias com o coração aberto e uma prece de agradecimento. Porque elas são como a água bendita, que umedece os lábios do vosso verdadeiro Eu e retempera as suas forças para a caminhada.

Aprendei, eu vos peço, as lições da Vida. Assim, abreviareis o tempo do vosso aprendizado.

E – quem sabe? – talvez mais leve se torne a vossa jornada.

 

     

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