Parábola das Sete Esposas

 

 

 

Sete esposas tive. 

E a cada uma, tomei por sua vez; porque o homem que a duas jura amor, a nenhuma ama. 

E, se podemos repartir o amor entre os nossos pais, os nossos filhos e os nossos irmãos, não o podemos fazer entre as mulheres. 

Sete esposas tive. 

E a cada uma amei de uma forma, e cada uma de uma forma me amou.

E a todas amei da mesma forma, e todas da mesma forma me amaram. 

Porque o amor, que é sempre diferente, jamais deixa de ser igual. 

Sete esposas tive. 

E sete vezes me casei, uma em cada religião. 

E sete sacerdotes me casaram; e de todos eles ouvi as mesmas palavras. 

Que não eram as palavras de Deus, nem as palavras dos seus corações. 

Mas apenas as palavras que os homens acham que Deus deveria dizer. 

Sete esposas tive.

E, nelas, setenta virtudes encontrei; como encontrei setenta defeitos.  

E antes houvéssemos casado apenas as nossas virtudes, pois jamais conseguimos combinar os nossos defeitos. 

Sete esposas tive. 

E a cada uma dei um filho, e cada uma um filho me deu. 

Pois uma união sem filhos é como uma árvore sem frutos; e quando morrem as árvores, é da semente dos frutos que outras árvores nascerão. 

Sete esposas tive. 

E a cada uma jurei dedicar a minha vida; e todas me juraram dedicar as suas vidas. 

E, entretanto, assim estamos hoje; cada um vivendo a sua própria vida. 

Pois as pessoas não sabem entrelaçar as suas vidas. 

Sete esposas tive. 

E, se tive sete esperanças, hoje tenho sete lembranças. 

E, se foram sete os meus sonhos, sete foram os meus despertares, cada um dos quais me preparava para viver um novo sonho. 

Sete esposas tive. 

E, se voltasse a vida, a todas sete outra vez tomaria. 

Pois onde, senão nos meus sofrimentos e nas minhas felicidades, iria eu aprender o que hoje sei? 

Sete esposas tive. 

Pois apenas com o Amor me casei.

 

       

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